Quando se pensa em pavimentos exigentes, pensa-se num terraço ou numa casa de banho. A garagem raramente entra na conversa, e no entanto é o chão da casa que mais trabalha. Leva com uma tonelada e meia de carro apoiada em quatro pequenas áreas de pneu, com pneus que rodam no mesmo sítio cada vez que se manobra, com água, lama e areia no inverno, e com o óleo ou o líquido que um dia vai pingar. Um pavimento de garagem mal escolhido ou mal assente nota-se depressa: peças partidas na linha das rodas, juntas a esfarelar e manchas que não saem.

O que o carro faz ao pavimento

O peso de um carro não se espalha pelo chão todo. Fica concentrado nos pontos de contacto dos pneus, e é aí que a peça é posta à prova. Se por baixo dessa peça houver um vazio, uma zona onde a cola não chegou, a peça trabalha como uma ponte sem apoio e acaba por fissurar. É por isso que, nas garagens, o que parte uma peça raramente é o carro em si. É o que está por baixo dela.

A isto junta-se o esforço lateral. Rodar o volante com o carro parado, para acertar no lugar, torce a superfície e arrasta a areia que vem nos pneus. Com os anos, isso desgasta o acabamento e abre as juntas mais fracas.

A peça: porcelânico, espessura e carga de rotura

Para uma garagem usamos porcelânico. É o grupo de menor absorção de água definido pela norma europeia EN 14411, com absorção até 0,5%, o que quer dizer que a peça é densa, resistente e não bebe a água nem o óleo que lhe caem em cima. Uma cerâmica de parede, mais porosa e mais frágil, não tem lugar aqui.

Dentro do porcelânico há diferenças grandes, e a ficha técnica mostra-as. O valor que interessa é a carga de rotura, em newtons, medida segundo a EN ISO 10545-4. Depende muito da espessura: duas peças com o mesmo aspeto, uma fina e outra espessa, podem ter cargas de rotura muito diferentes. Para uma garagem, entre duas opções do mesmo preço, escolhe-se a mais espessa e a de carga de rotura mais alta.

O formato também conta. As peças muito grandes e finas, que ficam bem numa sala, são as mais sensíveis a um vazio por baixo na zona das rodas. Num pavimento de garagem preferimos formatos médios com boa espessura, ou então peça grande com espessura adequada e colagem especialmente cuidada.

Desgaste, manchas e produtos químicos

Há mais três ensaios que valem uma olhadela na ficha da peça. A resistência à abrasão das peças vidradas, medida pela EN ISO 10545-7, diz quanto aguenta a superfície antes de perder o acabamento com o arrasto dos pneus e da areia. A resistência às manchas, pela EN ISO 10545-14, e a resistência química, pela EN ISO 10545-13, dizem se uma mancha de óleo ou um produto de limpeza mais forte saem ou ficam para sempre.

Não vendemos material, que é escolhido pelo cliente, pelo construtor ou pelo decorador. Mas quando nos mostram a peça para uma garagem, pedimos a ficha técnica e dizemos se serve. É melhor ter essa conversa antes da encomenda do que depois de assente.

A colagem: sem vazios por baixo

É aqui que se ganha ou se perde um pavimento de garagem. A base tem de ser betão ou betonilha firme, plana e sem fissuras a trabalhar. A cola tem de ser de classe C2, de altas prestações, e de preferência deformável, para acompanhar os pequenos movimentos da laje sem descolar.

E a peça tem de ficar apoiada a 100%. A ficha técnica da SikaCeram-252 StarFlex, um cimento cola C2 deformável que indica entre as suas utilizações os pavimentos com tráfego pesado, manda usar a técnica de colagem dupla, com cola na base e no tardoz da peça, em peças acima de 900 cm² e em situações de cargas pesadas. Uma garagem é exatamente esse caso. Dá mais trabalho e gasta mais cola, e é o que impede a peça de partir na linha das rodas.

As juntas de dilatação também não se dispensam. Uma garagem tem muitas vezes uma porta para o exterior, apanha frio e calor, e a laje mexe. Explicámos noutro artigo onde e porquê se fazem as juntas de dilatação.

Quanto tempo até o carro entrar

É a pergunta que todos fazem, e a resposta está na ficha da cola, não na pressa. A mesma ficha da SikaCeram-252 StarFlex dá um mínimo de 24 horas para se poder andar a pé e de 7 dias para o pavimento ficar aberto a todo o tipo de tráfego. Outras colas têm outros tempos, e o frio e a humidade do inverno atrasam a presa.

Meter o carro na garagem dois dias depois de assentar, porque o chão já parece firme, é a forma mais rápida de estragar um trabalho bem feito. A peça pode estar seca à superfície e a cola por baixo ainda não ter a resistência final.

Juntas e entrada

Na junta entre peças, numa garagem com uso diário, compensa pensar num betume mais resistente às manchas e aos produtos, como o epóxi. Falámos das diferenças no artigo sobre rejunte cimentício ou epóxi. E se a garagem tem rampa ou uma zona de entrada que apanha chuva, essa parte pede peça antiderrapante, como qualquer pavimento exterior.

A Manuel Correia, Ferreira e Filhos assenta cerâmica, porcelânico e pedra natural desde 1985, a partir de Argoncilhe, Santa Maria da Feira, em todo o país. Se vai revestir o chão de uma garagem, fale connosco antes de comprar a peça: 963 084 931 ou geral@manuelcorreiaefilhos.pt.