Existe a ideia de que uma casa de banho fica estanque assim que está revestida a cerâmica. Não fica. O azulejo e o porcelânico são muito pouco absorventes, mas a água passa pelas juntas, pelos cantos e pelos pontos onde a canalização atravessa a parede. Quem impede a água de chegar à estrutura é uma camada que ninguém vê depois da obra terminada: a impermeabilização aplicada antes de assentar.
Porque é que a cerâmica não chega
O betume entre peças não é impermeável. Mesmo bem executado, é uma argamassa cimentícia que absorve humidade e deixa passar água ao longo do tempo, sobretudo em zonas com contacto direto e prolongado como o pavimento e as paredes do duche. Um porcelânico tem absorção de água inferior a 0,5%, segundo a norma ISO 13006, mas essa qualidade é da peça, não do conjunto. A água encontra sempre o caminho pelas juntas e pelas ligações. Se por baixo não houver uma barreira contínua, essa água chega à betonilha, à laje e, mais cedo ou mais tarde, ao teto do vizinho de baixo.
O que é, na prática, a impermeabilização
Falamos de uma membrana aplicada sobre o suporte, antes da cola e do revestimento. As soluções mais comuns em casa de banho são as membranas líquidas, produtos que se aplicam com trincha ou rolo em duas demãos cruzadas e formam um filme elástico e contínuo. Existem também as membranas em rolo, mais usadas em terraços e grandes superfícies. Em ambos os casos, o princípio é o mesmo: criar uma pele sem interrupções entre o suporte e o revestimento, capaz de acompanhar os pequenos movimentos do edifício sem fissurar.
A membrana líquida cura e fica com uma espessura de poucos milímetros, invisível depois de assentada a cerâmica. É por isso que dizemos que é um passo que não se vê: quando a obra está pronta, ninguém consegue confirmar a olho se foi feita ou não. Fica a fé no aplicador, e é aqui que a diferença entre um trabalho sério e um trabalho apressado se decide.
Onde é mesmo obrigatória
Nem toda a casa de banho precisa de ser impermeabilizada de parede a parede, mas há zonas onde dispensar a membrana é assumir o risco de infiltração:
- A base do duche e o pavimento em redor. É a zona de maior carga de água. A membrana deve subir pela parede pelo menos 15 a 20 cm acima do pavimento, e mais nas paredes do próprio duche.
- As paredes do duche ou da zona da banheira, até à altura do chuveiro. A água escorre pela parede e a junta sozinha não a segura.
- Os cantos e as ligações entre pavimento e parede. São os pontos mais fracos de qualquer impermeabilização. Reforçam-se com bandas ou telas próprias, coladas dentro da membrana ainda fresca.
- À volta de ralos, tubos e passagens de canalização. Cada furo é uma porta de entrada. Selam-se com acessórios específicos, os chamados collarinhos, integrados na membrana.
Como se aplica bem
A qualidade da impermeabilização decide-se em pormenores que se percebem pouco de fora. O suporte tem de estar limpo, firme e sem pó, muitas vezes com um primário antes da membrana para garantir aderência. As demãos são cruzadas, uma na horizontal e outra na vertical, para que não fiquem falhas. Respeita-se o tempo de secagem entre demãos indicado pelo fabricante, que costuma ser de algumas horas. E não se assenta cerâmica sobre a membrana antes de esta estar completamente curada.
Um detalhe que fazemos questão de explicar ao cliente: a impermeabilização e as juntas de dilatação trabalham em conjunto. A membrana trava a água, mas se o revestimento não tiver folga para se mover, fissura, e uma fissura no revestimento acaba por exigir a mesma membrana intacta por baixo. As duas coisas protegem-se uma à outra.
O que acontece quando este passo é saltado
A infiltração raramente aparece no dia a seguir à obra. Aparece meses depois, e quase nunca onde a água entrou. Vê-se uma mancha de humidade no teto do andar de baixo, um rodapé que descola numa divisão contígua, um cheiro a mofo que não passa. Quando se chega à origem, o problema está debaixo de uma casa de banho que parecia impecável. E a reparação é sempre pior do que a prevenção: implica levantar o revestimento, secar o suporte, impermeabilizar como devia ter sido feito e voltar a assentar tudo. O custo multiplica-se, e o transtorno também.
É por isto que insistimos neste ponto em fase de orçamento. Uma casa de banho bem impermeabilizada custa mais uns euros por metro quadrado e uns dias a mais de obra, entre a aplicação da membrana e a sua cura. Uma casa de banho mal impermeabilizada custa a obra toda outra vez, mais os estragos que a água fez pelo caminho.
O que garantimos
Quando aplicamos revestimento numa casa de banho, tratamos a impermeabilização como parte do trabalho, não como um extra a pedido. Avaliamos em visita técnica que zonas exigem membrana, reforçamos cantos e passagens de canalização, respeitamos os tempos de cura e só depois assentamos. Não vendemos material nem fazemos a obra geral: fazemos a parte que é nossa, a que fica por baixo e a que fica à vista, e respondemos por ela. Para orçamento ou esclarecimento, fale connosco pelo 963 084 931 ou em manuelcorreiaefilhos.pt.
