Quem nos pergunta se deve levar pedra natural ou porcelânico costuma estar a pensar no aspeto e no preço do material. São as duas perguntas erradas, ou pelo menos as duas menos importantes. O que separa os dois materiais, para quem os assenta, é a absorção de água, e dela decorre quase tudo o resto: a cola que se usa, a probabilidade de a peça manchar, o tempo que leva a nivelar e a manutenção que fica para o dono da casa.
A diferença que conta é a absorção de água
O porcelânico é, por definição, um material de absorção muito baixa. A norma europeia que classifica os revestimentos cerâmicos, a EN 14411, coloca-o no grupo de absorção de água inferior ou igual a 0,5 por cento. Na prática é um material quase fechado: a água não entra, e o que não entra não mancha por dentro nem gela lá dentro no inverno.
A pedra natural não tem um número. Tem vários, porque é material de pedreira e não de fábrica:
- Granitos e basaltos ficam em valores baixos, próximos do porcelânico, e são por isso os mais tolerantes.
- Mármores ficam no meio, com o problema adicional de serem claros, o que torna qualquer mancha visível.
- Calcários e travertinos são os mais porosos e os que exigem mais cuidado, tanto ao assentar como depois.
Isto não é uma nota académica. É o que decide se a peça que assentamos hoje aparece manchada dentro de uma semana.
Pedra clara mancha, e muitas vezes a culpa é da cola
A mancha que aparece numa pedra clara pouco depois de assentada raramente vem de cima. Vem de baixo, da própria cola, e tem duas origens.
A primeira é a cor do ligante. Uma cola de cimento cinzento vista através de um mármore branco de dois centímetros deixa a peça com um tom acinzentado e sujo, sem remédio depois de seca. Em pedra clara usa-se cola de cimento branco, e isso não é uma preferência estética, é obrigatório se se quiser o tom que o cliente escolheu na amostra.
A segunda é a água. As colas de pega normal têm água que fica na junta muito tempo e essa humidade atravessa a pedra porosa, arrastando sais e deixando halos. Por isso, em pedra natural sensível, trabalhamos com colas de baixo teor de água e pega rápida, que fecham antes de a humidade ter tempo de subir. Os fabricantes de argamassas indicam produtos específicos para este caso, e não é o mesmo saco que se usa num porcelânico corrente.
Há ainda um terceiro efeito, menos conhecido: o mármore é sensível à humidade e, com água em excesso e secagem desigual, pode empenar. A peça deixa de estar plana e nota-se a luz rasante a marcar os bordos.
Espessura e tom variam de peça para peça
Uma caixa de porcelânico vem calibrada. As peças têm todas praticamente a mesma espessura e o mesmo tom dentro do lote, e quando isso falha é defeito de fabrico. Com pedra natural é o contrário: a variação é a norma e faz parte do material.
O que isso significa na obra:
- Seleção antes de colar. Abrimos e espalhamos as peças no chão, vemos tons e veios e decidimos onde vai cada uma. O que não se pode é ir tirando da caixa pela ordem que vem.
- Nivelar peça a peça. Onde a espessura varia, corrige-se na cama de cola, o que torna o trabalho mais lento. Um pavimento de pedra leva mais tempo a assentar do que a mesma área em porcelânico, e isso está no orçamento.
- Contar com quebra. Em pedra natural há sempre peças que se descartam por tom ou por veio mal colocado. Encomendar a metragem exata é ficar a meio.
O porcelânico tem o problema oposto
Por ser quase impermeável, o porcelânico não absorve a água da cola, e portanto não ajuda a cola a agarrar. Toda a aderência tem de vir do produto. É por isso que num porcelânico, sobretudo de grande formato, se usa cola de classe adequada e se faz dupla colagem, com pente na base e uma camada fina no tardoz da peça, para garantir que não fica ar por baixo.
Também é por isso que o porcelânico polido escorrega mais quando está molhado. Num hall de entrada ou numa zona que recebe água da rua, isso é um problema real de segurança, e vale a pena falar de acabamento mate antes de comprar em vez de depois.
A manutenção é a parte que ninguém pergunta
Esta é a diferença que se sente durante vinte anos, não durante a semana da obra.
A pedra natural porosa precisa de tratamento hidrófugo, aplicado depois de assentada e repetido de tempo a tempo. Sem ele, o azeite da cozinha, o vinho ou a água com ferro de um vaso na varanda entram e ficam. Os fabricantes têm produtos próprios para pedra natural, formulados para não escurecer o tom, e convém que seja o dono da casa a saber que existe esta manutenção antes de escolher o material.
O porcelânico não pede nada disto. Lava-se e está feito. Se o que o cliente quer é o aspeto da pedra sem a manutenção da pedra, hoje há porcelânicos que reproduzem mármore e calcário com um resultado que engana à distância de um metro. Dizemos isso com franqueza quando é o caso, mesmo quando implica um material mais barato: preferimos assentar bem um porcelânico do que ver uma pedra bonita a manchar por falta de cuidados que ninguém explicou.
O que fazemos quando nos chamam
Vamos ver a obra, percebemos onde vai o material, se é interior ou exterior, se leva água, se leva sol, se tem pavimento radiante por baixo. Depois dizemos o que o material escolhido vai exigir. Se for pedra clara, encomendamos a cola certa e contamos com mais tempo. Se for porcelânico de grande formato, preparamos a base e a dupla colagem. O material é sempre do cliente e não vendemos nada disso, por isso não temos interesse nenhum em empurrar um ou outro: o nosso interesse é que o trabalho fique bem assentado.
Se está a decidir entre pedra e cerâmica para uma obra sua, fale connosco antes de comprar o material. Assentamos revestimentos há mais de trinta anos, com sede em Argoncilhe e obra em todo o país, e meia hora de conversa antes da encomenda poupa-lhe problemas que depois já não se corrigem. Ligue 963 084 931.
