A infiltração raramente avisa no dia em que dá problema. Quando a mancha aparece no teto do quarto de baixo, ou quando o vizinho bate à porta a dizer que lhe pinga água na sala, o problema já vem de trás, muitas vezes de meses. A água entrou por uma junta aberta ou por uma poça que ficou parada, foi encharcando a camada de baixo devagar, e só se mostra quando já fez estrago. O fim do verão é a melhor altura para olhar para o terraço e para a varanda com atenção, antes das primeiras chuvas a sério, porque o que agora se resolve com pouco, depois das chuvas de inverno já obriga a levantar chão. Este artigo é para o dono da casa perceber o que procurar e quando é hora de chamar alguém.

Porque é que o terraço e a varanda são o ponto fraco

Um terraço e uma varanda estão em desvantagem por natureza. São superfícies planas, ou quase, viradas ao céu, que apanham toda a chuva, todo o sol e todas as amplitudes de temperatura do ano. Ao contrário de uma parede, onde a água escorre e cai, no chão de um terraço a água tende a ficar, e é a água parada que faz o estrago. Por baixo do que se pisa há sempre uma camada que tem de segurar a água do lado de fora: a impermeabilização. Quando essa camada falha, ou quando a água não é encaminhada para fora como devia, começa o problema. E como está tudo tapado pela cerâmica, ninguém vê a falha a formar-se. Só se vê o resultado, e o resultado costuma aparecer no andar de baixo.

Os sinais de alerta que dá para ver da varanda

Não é preciso ser da obra para reparar nestes sinais. Basta olhar com atenção, de preferência num dia depois de chover, que é quando o terraço conta a verdade:

  • Poças que não secam. Depois da chuva parar, a água devia escorrer toda para o ralo em pouco tempo. Se ficam poças no meio do terraço, ou zonas que demoram horas a secar quando o resto já secou, é sinal de que a inclinação não está a levar a água para onde devia. Água parada é água que procura um caminho para baixo.
  • Juntas abertas, vazias ou esfareladas. Passe o olho pelas linhas entre as peças. Se há juntas fendidas, com falhas, ou onde o betume se desfaz ao toque, deixou de haver selagem ali. Cada junta aberta é uma entrada de água para a camada de baixo.
  • Peças a abanar ou com som oco. Uma peça que abana com o pé, ou que soa a oco quando se bate, já descolou do suporte. Por baixo dela há um vazio, e esse vazio enche de água.
  • O remate junto à parede a soltar. A zona onde o chão do terraço encontra a parede é a mais delicada de todas. Se o rodapé ou a meia-cana desse encontro está solto, fendido ou em falta, a água entra exatamente pela junção mais difícil de vedar.
  • Ralo entupido ou mais alto que o chão à volta. Um ralo tapado de folhas e terra faz a água acumular. E um ralo que ficou acima do nível do chão à volta nunca chega a escoar a última água, que fica sempre ali parada.
  • Eflorescências e bolor nas juntas. Aquelas manchas brancas de sal ou o verde-escuro do bolor nas juntas dizem que há humidade constante a passar por ali. Não é sujidade de superfície, é água que anda por dentro.

E o sinal que aparece no andar de baixo

Há um sinal que já não está no terraço, está por baixo dele, e é o mais grave porque quer dizer que a água já passou toda a espessura: manchas no teto ou no cimo da parede do compartimento de baixo, tinta a estalar, reboco a inchar ou a cair, aquele cheiro a húmido que não sai. Quando se chega aqui, a infiltração já não é uma ameaça para o inverno, já é um facto. Não vale a pena esperar a ver se seca no verão seguinte, porque cada inverno que passa alarga o estrago e encarece a reparação.

A impermeabilização: a camada que ninguém vê e que decide tudo

Debaixo da cerâmica de um terraço bem feito há uma camada impermeável, a tela ou o produto que segura a água e não a deixa chegar à estrutura. A cerâmica de cima não é a impermeabilização, é o acabamento que se pisa e que protege essa camada do sol e do desgaste. Muita gente pensa que é o azulejo que veda a água, e não é: a junta entre azulejos deixa sempre passar alguma humidade, e quem tem de a travar é a camada de baixo. Por isso é que uma impermeabilização velha, rachada ou mal rematada dá infiltração mesmo com o chão à vista aparentemente bom.

Esta camada não dura para sempre. Com os anos, o sol e o frio, os materiais mais antigos ficam quebradiços e fendem, sobretudo nos cantos e nos encontros com a parede e com o ralo, que é onde há mais movimento. Quando é preciso refazer a impermeabilização, na maioria dos casos há mesmo que levantar o revestimento para lá chegar, aplicar a nova camada como deve ser, garantir que sobe pela parede o suficiente e que remata bem no ralo, e só depois assentar de novo. É trabalho, não se contorna, mas é o que resolve a sério em vez de tapar por cima.

A inclinação: a água tem de correr, não pode ficar

Um terraço nunca deve ser perfeitamente plano, por mais que a vista engane. Tem de ter uma pequena queda, uma inclinação suave e constante que leve toda a água para o ralo ou para a saída, sem deixar nenhuma zona onde ela pare. Essa queda faz-se na camada por baixo do revestimento, na betonilha, e é ela que decide se depois da chuva o terraço seca sozinho ou fica com poças. Quando a inclinação está mal feita, ou quando com o tempo a base assentou e criou barrigas, a água acumula, e onde a água fica é onde ela acaba por encontrar caminho para baixo.

É por isto que uma poça teimosa é mais do que um incómodo estético. É o aviso de que a água não está a sair como devia, e que está a sobrecarregar a impermeabilização exatamente no ponto mais fraco. Corrigir inclinação obriga a mexer na base, mas às vezes o problema é mais simples, um ralo mal colocado ou entupido, e resolve-se sem grande obra. A única forma de saber é ver.

O que dá para fazer agora, antes das chuvas

Nem tudo precisa de obra. Antes do inverno, há coisas simples que o próprio dono da casa pode fazer ou mandar fazer, e que evitam muito estrago:

  • Limpar bem os ralos e as saídas de água, tirar folhas, terra e limos, e confirmar que a água escoa depressa quando se despeja um balde.
  • Olhar as juntas todas e o remate com a parede, e marcar as zonas fendidas ou vazias.
  • Ver se há peças a abanar ou ocas, e não as pisar com força até estarem tratadas.
  • Reparar as pequenas falhas de junta cedo, enquanto são pequenas, em vez de esperar que a água já ande por baixo.

Estas coisas ganham tempo e, em muitos casos, chegam para passar um inverno descansado. O que não resolvem é uma impermeabilização já no fim de vida ou uma inclinação que faz poças, e é aí que entra quem faz disto profissão.

Quando é altura de chamar alguém

A regra que damos aos clientes é simples: se o sinal é só de superfície, uma junta ou outra a precisar de retoque, o ralo a pedir limpeza, trata-se e segue-se. Mas se há poças que não secam, várias peças ocas, o remate com a parede a soltar, ou já qualquer marca de humidade no teto de baixo, então não é altura de retocar por cima, é altura de perceber o que se passa por baixo. Vale a pena chamar quem abra o problema, veja o estado da impermeabilização e da inclinação, e diga com honestidade se é uma reparação localizada ou se é preciso refazer a zona. Melhor ouvir isso em setembro, com o terraço seco, do que em janeiro com água a pingar na sala.

O pior negócio de todos é o de deixar andar. A infiltração não estabiliza sozinha, alarga sempre, e o que hoje é uma reparação de uma zona amanhã é levantar o terraço todo e tratar o teto estragado do andar de baixo por cima. Se tem um terraço ou uma varanda que já lhe levantou dúvidas, ou se viu aqui algum destes sinais, é o momento certo de olhar para isso antes das chuvas apertarem. Para uma vistoria ou orçamento sem compromisso, fale connosco pelo 963 084 931 ou em manuelcorreiaefilhos.pt.